A terceira parte do especial da revista Niva, publicado em 1932, muda o foco da longa história antiga e otomana para o momento em que Sofia passava a integrar o novo Estado búlgaro. O texto reúne três temas que parecem distintos, mas se encaixam numa mesma transição: a administração russa depois da Guerra Russo-Turca, os primeiros conselhos municipais e a preservação dos monumentos mais antigos da cidade.

O governo de ocupação após San Stefano

O artigo recorda que o Tratado de San Stefano atribuía ao Comissário Imperial Russo a responsabilidade pela organização e pelo governo da Bulgária até que a população pudesse eleger livremente seu príncipe. A estrutura administrativa criada naquele intervalo não era pensada como permanente, mas precisava manter o território funcionando enquanto se preparava uma ordem política nova.

O príncipe Vladimir Cherkassky, que havia introduzido a administração civil, morreu justamente no dia da assinatura da paz de San Stefano, em 19 de fevereiro de 1878. Sua morte interrompeu decisões importantes e obrigou a reorganizar a direção do governo.

Alexandre II escolheu então o príncipe Alexander Mikhailovich Dondukov-Korsakov como Comissário Imperial Russo. A nomeação ocorreu em 16 de abril de 1878. Dondukov chegou a Plovdiv, então centro administrativo do novo principado, em 20 de maio e assumiu as funções que haviam ficado temporariamente com o general Anuchkin.

Depois do Tratado de Berlim, Dondukov deixou Plovdiv, entregou o governo da Rumélia Oriental ao tenente-general Arkady Dimitrievich Stolypin e chegou a Sofia em 9 de outubro de 1878. A mudança colocava a cidade no centro da organização política que se consolidaria nos meses seguintes.

Os chefes dos departamentos e a nova máquina administrativa

O Comissário Imperial era auxiliado por chefes de departamento que, na prática, cumpriam funções semelhantes às de ministérios. O general Mikhail Alekseevich Domontovich chefiava o escritório diplomático. O major-general Peter Apollonovich Gresser cuidava dos assuntos internos; Konstantin Andreevich Bukh, das finanças; Sergei Ivanovich Lukyanov, da justiça; Marin Stefanov Drinov, da educação pública e das confissões; Tukholka, da alfândega; e o major-general Vasily Grigorievich Zolotarev, das tropas zemstvo.

O arranjo terminou quando a constituição foi elaborada, Alexander Battenberg foi eleito príncipe e Todor Burmov formou, em 5 de julho de 1879, o primeiro ministério constitucional búlgaro. A partir daí, os chefes de departamento e o comissário russo deixaram o país.

A fotografia da casa do general Gresser na Praça Positano

Uma imagem de 1879 preservada pela revista mostra a residência do general Gresser na Praça Positano. A fotografia reúne parte da elite administrativa do período: Dondukov-Korsakov, a senhora Gresser, Vladimir Roge, Sergei Lukyanov, Konstantin Bukh e o próprio general Peter Gresser com o filho.

O valor da imagem está justamente no contraste com a Sofia posterior. A Praça Positano se tornaria um espaço urbano plenamente integrado à capital moderna, mas a fotografia registra um momento em que a administração recém-instalada ainda ocupava residências adaptadas e a cidade não possuía a infraestrutura monumental que passaria a construir nas décadas seguintes.

Os primeiros conselheiros municipais de Sofia

O texto volta alguns anos para lembrar que conselhos municipais urbanos já existiam no vilaiete do Danúbio desde 1865. A criação desses órgãos nasceu de uma decisão do Idare Meclisi provincial. Foram redigidas instruções enviadas à Sublime Porta para aprovação e, depois de confirmadas, os sete kaymakamliks receberam ordem para organizar seus conselhos.

O conselho de Sofia era composto por um presidente, um auxiliar e seis membros. Em 1865, foram escolhidos Pancho Petrin Andonov, Pop Mato, Dimitar Nozharov, Dimitar Manov, o professor Veselin Gruev e Hadzhi Pop Angelkov.

Essa lista mostra que a vida administrativa municipal não começou do zero em 1878. Havia uma estrutura anterior, ainda inserida no sistema otomano, sobre a qual a cidade moderna precisaria construir novos órgãos.

São Jorge: de banho romano a igreja e mesquita

A segunda metade do artigo é dedicada aos monumentos. O professor Bogdan Filov apontava São Jorge e Santa Sofia como as igrejas de maior valor arquitetônico e histórico.

Escavações realizadas pelo Museu Nacional em 1915 indicavam que o núcleo de São Jorge havia sido originalmente um banho romano, construído no século II ou, no máximo, no início do III. As ruínas foram transformadas em igreja não antes do século V.

O registro escrito mais antigo mencionado pelo artigo data de 1469, quando Vladislav Grammatik descreveu a transferência das relíquias de São João de Rila de Tarnovo para o Mosteiro de Rila e identificou São Jorge como igreja metropolitana de Sofia.

No início do século XVI, o edifício foi convertido em mesquita e passou a ser conhecido como Gül Camii. Depois da Libertação, deixou de servir ao culto muçulmano e permaneceu abandonado por um período. Após a morte de Alexander I, o prédio foi reparado e guardou temporariamente o corpo do príncipe até a transferência para o mausoléu construído para ele.

Para Filov, o elemento mais valioso eram os afrescos. Havia pelo menos duas camadas distintas de pinturas, diferenciadas tanto pelo estilo quanto pela coloração.

Santa Sofia e as camadas de uma basílica muito mais antiga

Do ponto de vista arquitetônico, Santa Sofia era considerada ainda mais importante. O artigo relaciona sua forma a tradições desenvolvidas fora do núcleo bizantino, especialmente na Ásia Menor, e observa analogias com formas que mais tarde caracterizariam a arquitetura românica da Europa Ocidental.

Escavações haviam revelado uma sequência de edifícios religiosos. Uma igreja antiga, conhecida já no século IV, possuía piso de mosaicos coloridos cuidadosamente executados. Teria sido destruída durante invasões visigóticas. Sobre suas ruínas surgiu, no início do século V, uma igreja maior, também decorada com mosaicos.

Essa segunda construção provavelmente foi destruída quando os hunos devastaram Sofia em 447. O edifício que chegou à era moderna teria sido erguido no início do século VI, sobre os restos das duas igrejas anteriores.

Ao longo dos séculos, Santa Sofia foi convertida em mesquita, usada como armazém, abandonada e danificada por terremotos. Na época do artigo, já havia sido restaurada e era apresentada como um dos monumentos mais valiosos da Bulgária.

A Mesquita Negra e a igreja dos Sete Santos

Outro edifício destacado é a atual Igreja dos Sete Santos, antiga Mesquita Negra. Segundo a inscrição sobre a porta, a mesquita foi construída em 1528, durante o reinado de Solimão I, por iniciativa e com apoio do grão-vizir Mehmed Pasha, de origem bósnia.

A construção possuía uma enorme cúpula única apoiada diretamente sobre as paredes. A passagem do quadrado da base para o círculo da cúpula não era feita por pendentes bizantinos, mas por trompas, solução associada a tradições arquitetônicas orientais e persas.

Depois da Libertação, o edifício serviu inicialmente como armazém e prisão. Mais tarde, por iniciativa de Petko Karavelov, foi convertido em igreja, remodelado em estilo bizantino e consagrado em 27 de julho de 1903.

A Mesquita Buyuk e o Museu Arqueológico

Entre os edifícios otomanos preservados, o texto destaca a chamada Mesquita Buyuk, que em 1932 já abrigava as coleções do Museu Arqueológico Nacional. Uma inscrição conservada no museu datava a construção de 1474, colocando-a entre as estruturas otomanas mais antigas ainda existentes em Sofia.

O resultado é um retrato singular da cidade em transição: numa mesma narrativa aparecem a casa do general Gresser, os primeiros conselheiros de 1865 e monumentos romanos, cristãos e otomanos. A Sofia moderna estava sendo construída, mas continuava literalmente apoiada sobre camadas urbanas muito anteriores.