Sofia sempre gostou de dançar. Danças folclóricas, rachenitsa, valsa, tango, rumba, foxtrote, boogie-woogie, rock and roll: cada época encontrou seu ritmo e seus lugares. Na década de 1950, a cidade oferecia bailes armênios, festas escolares, salões alugados para dança, restaurantes com orquestras, clubes de bairro e grandes eventos de Ano-Novo. Estas memórias reconstroem um circuito social que desapareceu quase por completo.
Uma cidade que dançava
O autor começa lembrando que os habitantes de Sofia sempre tiveram uma relação intensa com a dança. Nas praças, nas ruas, nos ginásios das escolas, em restaurantes e salões, cada geração dançava aquilo de que gostava e aquilo que estava na moda. Para ele, dançar reunia movimento, esporte, arte, entretenimento e intimidade — e muitas vezes era também uma forma de aproximação amorosa.
Ao voltar às lembranças dos anos 1950, ele parte da própria família. Sua mãe adorava dançar, sobretudo valsa. O pai dançava principalmente para acompanhá-la. O casal frequentava os tradicionais bailes armênios, em especial os realizados no salão da Alliance Française, além de festas promovidas por organizações educacionais e turísticas. Quando saíam, deixavam o filho na casa dos avós e vestiam-se com elegância: a mãe usava longos vestidos que ela mesma costurava; o pai, smoking, camisa branca e gravata-borboleta.
Os bailes armênios, o buffet e o tradicional quadrille
Nesses bailes havia buffet com bebidas, aperitivos e doces. Em determinado momento, depois de uma dança, o apresentador podia anunciar “damas ao buffet”. Era o sinal para que cada cavalheiro levasse sua acompanhante até o balcão e lhe oferecesse algo. A prática aumentava o movimento do buffet e ajudava a arrecadar recursos para a organização responsável pelo evento.
Os bailes armênios terminavam com um quadrille que se tornou tradicional. A dança era feita com cotillons, chapéus de papelão coloridos e decorativos preparados pelos próprios integrantes da associação promotora do baile. Eram vendidos aos pares dentro de um grande envelope: um para a dama e outro para o cavalheiro.
O quadrille era uma dança coletiva conduzida por um mestre de cerimônias, o quadrille master, e os comandos eram dados em francês. O memorialista conta, sem falsa modéstia, que durante décadas foi um dos mestres preferidos nos bailes de Sofia. Cita como testemunha o ator Petar Vuchkov, presença frequente como apresentador dos bailes armênios.
O quadrille também servia para encontros discretos
O autor revela ainda uma função menos oficial da dança. Antes dos telefones celulares, o quadrille podia ser usado para aproximar discretamente amantes ou jovens submetidos à vigilância rigorosa dos pais. Um mestre previamente avisado — ou eventualmente convencido a colaborar — podia, durante a troca de pares, colocar duas pessoas juntas por alguns minutos. Era tempo suficiente para combinar um encontro.
Como o quadrille durava pelo menos vinte ou trinta minutos, o casal podia voltar a se encontrar duas ou três vezes durante a mesma dança sem chamar atenção. Na juventude do narrador, ele observa, as relações já eram mais livres e esse tipo de intermediação havia perdido parte da utilidade.
Quase todos os bailes também tinham rifas e leilões. Podia-se disputar um bolo, uma boa garrafa ou algum objeto bonito e valioso doado por um artesão ou por uma família de recursos.
Restaurantes com pista de dança e orquestra
Nos anos 1950 havia muitos lugares para dançar em Sofia. Restaurantes como Bulgaria, Moskva, Ropotamo, Opera, Chepishev, Balkanski, em Lozenets, e Slavia mantinham pistas e pequenos conjuntos de música dançante.
Essas orquestras normalmente reuniam piano ou acordeão, bateria, trompete, saxofone e guitarra. O saxofonista frequentemente tocava também clarinete, e não era raro haver um violinista no conjunto. O repertório combinava sucessos recentes e melodias antigas que continuavam populares, como o tango La Cumparsita e Avant de mourir.
Durante algum tempo, os cantores interpretavam as músicas nos idiomas originais. Depois, uma orientação do Comitê Central do Partido Comunista passou a exigir que se cantasse em búlgaro. A política cultural da época procurava combater aquilo que era classificado como influência ideológica imperialista e subordinava a vida cultural aos critérios oficiais do marxismo-leninismo.
As festas de bairro e o controle das organizações da Frente da Pátria
As organizações locais da Frente da Pátria promoviam encontros com comida, bebida, apresentações literárias e musicais e, naturalmente, dança. No inverno, as festas aconteciam no clube do bairro, quando havia espaço suficiente, ou no salão da escola local. No verão, preferiam-se pátios de cooperativas residenciais e outros ambientes ao ar livre.
Os dirigentes e ativistas acompanhavam quem comparecia e como as pessoas se divertiam. Danças consideradas excessivamente “americanizadas” não eram bem-vistas. A valsa era uma escolha mais segura, inclusive porque aparecia com frequência nos filmes soviéticos populares da época.
As festas escolares e os salões alugados aos fins de semana
Nos restaurantes e nas festas de bairro não havia grande restrição de idade. Já as festas escolares tinham outro perfil. Eram organizadas para o Ano-Novo, Primeiro de Maio, 24 de Maio ou simplesmente como atividades de integração promovidas pelas organizações juvenis.
Nas noites de sábado e nas tardes de domingo, salões alugados recebiam festas dançantes mediante ingresso. O preço era acessível. Entre os locais lembrados pelo autor estavam a Alliance Française, a Teachers' Fund, o salão conhecido como Grafitsite no Boulevard Dondukov, o centro comunitário Probuda próximo ao Seminário, o restaurante Arizona na Rua Denkoglu, o centro Mara Buneva em Malashevtsi e o G. S. Rakovski em Konyovitsa.
As festas de sábado atraíam principalmente estudantes universitários e jovens trabalhadores. Aos domingos, predominavam alunos e alunas mais novos. As matinês começavam por volta das três ou quatro da tarde e terminavam perto das oito da noite; as festas de sábado começavam mais tarde e podiam seguir até a meia-noite.
Quase sempre havia música ao vivo. Às vezes, em vez de uma orquestra completa, tocavam três ou quatro guitarristas, com pelo menos um deles assumindo também os vocais. As guitarras elétricas já haviam conquistado espaço importante na vida dos jovens de Sofia.
O restaurante Arizona e a chegada de novos ritmos
O autor guarda boas lembranças das festas no restaurante Arizona. Ali tocava o conjunto de Pope, um trompetista virtuoso conhecido por inventar pequenas surpresas. Em uma ocasião, ele desapareceu do palco e, pouco depois, o som do trompete começou a vir do banheiro, arrancando risadas do público.
As danças mais comuns eram tango, blues, rumba, boogie-woogie e foxtrote. A valsa aparecia menos. O cha-cha-cha ganharia popularidade nos anos 1960. O rock and roll tornou-se moda em Sofia por volta de 1957 e 1958; alguns anos depois chegariam o twist, o hula-hoop e outras novidades.
Quando Anthony Quinn apareceu como Zorba, o Grego, a Bulgária inteira pareceu querer dançar sirtaki. A melodia grega se espalhou pelos restaurantes e cada um improvisava os passos acreditando reproduzir o personagem do cinema.
As músicas que viraram memória de uma geração
No fim dos anos 1950 e começo dos 1960, a paisagem musical de Sofia foi tomada por sucessos internacionais. O autor recorda Tom Jones e Delilah, além de Greenfields, Buona Sera Signorina, Louis Armstrong, Paul Anka, Ciao, ciao bambina, de Domenico Modugno, e canções de Rita Pavone, cuja maneira de cantar inspiraria jovens intérpretes búlgaras. Para sua geração, essas músicas tornaram-se verdadeiros marcadores de tempo.
O baile de carnaval de 1956 no Parque da Liberdade
Durante o verão, o Parque da Liberdade recebia festas ao ar livre, com palco e pista de dança. Em 1956 foi anunciado um baile de carnaval. O narrador e alguns amigos do grupo de teatro amador vestiram fantasias e seguiram em direção ao parque. No caminho, porém, uma chuva fortíssima caiu sobre a cidade. O grupo voltou para casa encharcado, “como galinhas molhadas”, e o baile acabou fracassando.
Como o autor se tornou mestre de quadrille
Shavarsh Manukyan, ator do Teatro Musical Stefan Makedonski, era considerado um dos grandes mestres do quadrille. Depois de sua mudança para os Estados Unidos, ficou um vazio. O memorialista havia assistido a Manukyan muitas vezes e aprendera comandos e figuras. Como falava francês, sentiu-se seguro para assumir a função.
Começou em pequenas festas de clubes e percebeu que funcionava. Todos os anos, o Centro Cultural Judaico da Praça Vazrazhdane realizava um baile de carnaval para Purim. Em 1956, o autor ensinou quadrille aos amigos do grupo teatral do centro comunitário Emil Shekerdzhiyski.
Vestidos com figurinos do acervo da companhia, entraram no salão com grande barulho, conduzidos pelo mestre do quadrille fantasiado de Mefistófeles. Para muitos presentes, era a primeira vez que viam aquela dança. O número fez sucesso e o quadrille permaneceu durante décadas como parte tradicional dos bailes de Purim, até que a emigração de muitos participantes para Israel enfraqueceu e finalmente interrompeu a tradição.
Animado pelo sucesso, depois de 1960 o autor passou a dirigir também os quadrilles dos tradicionais bailes armênios de primavera. Formou uma dupla recorrente com Petar Vuchkov, e os dois trabalharam juntos em bailes até 1998.
Os grandes bailes de Ano-Novo no Bulgaria Hall
Perto do Ano-Novo e do Natal, o Bulgaria Hall recebia os chamados bailes de Ano-Novo. As cadeiras do grande salão podiam ser recolhidas para dentro do piso, criando uma enorme pista. O espaço era decorado com flocos de neve, pingentes de gelo e figuras do Avô Gelo — a versão soviética do personagem natalino, numa época em que o Papai Noel tradicional estava oficialmente em desgraça.
Os organizadores contratavam bons atores para apresentar a noite, além de comediantes, cantores e uma grande orquestra de música popular. Os convites eram vendidos pela direção de concertos e também distribuídos por instituições. A procura era intensa.
Os jovens dançavam, assistiam ao programa especial, iam aos buffets e voltavam à pista. O evento ocupava não apenas o salão principal, mas também os foyers de mármore e os corredores largos do edifício. Havia concursos, brincadeiras e competições de dança.
A dança da laranja
Em um desses bailes, o autor se recorda de um concurso chamado “dança da laranja”. Cada casal precisava dançar segurando uma laranja entre as testas. Se a fruta caísse, a dupla era eliminada. A música ficava progressivamente mais rápida, tornando o desafio cada vez mais difícil. A última dupla recebia como prêmio uma garrafa de champanhe, uma grande caixa de chocolates ou algum presente semelhante.
O sonho de um salão para os moradores mais velhos de Sofia
O relato termina comparando Sofia com um clube retrô observado no centro de Praga, perto da Praça Venceslau. Ali, homens e mulheres da chamada “idade de ouro”, sozinhos ou acompanhados, podiam tomar chá, café, vinho ou licor e dançar tango, valsa inglesa, rumba ou charleston ao som de músicas da juventude.
O autor imaginava algo semelhante em Sofia: um lugar elegante, simples e acolhedor onde idosos pudessem conversar, dançar, reencontrar conhecidos, fazer novos amigos e aliviar a solidão.
Em sua fantasia, seria uma noite de sábado na Rua Belchev. De um prédio em estilo secessionista sairia o som de um violino acompanhado por acordeão, guitarra e bateria. Na entrada, uma placa discreta anunciaria “Bayaderka — salão de dança”. Um senhor de grandes bigodes receberia os visitantes com um sorriso; uma elegante funcionária cuidaria gratuitamente do guarda-roupa.
No salão, fotografias antigas de Sofia, Viena, Paris e Varna decorariam as paredes. Uma pequena orquestra tocaria um tango argentino enquanto cinco ou seis casais dançariam com calma. Homens de cabelos brancos e senhoras bem-arrumadas conversariam nas poltronas laterais, lembrando vestidos, antigos artistas e histórias de juventude.
No andar superior haveria um café-bar-restaurante, com grupos discutindo preços, saúde e antigas histórias, enquanto outros casais redescobririam afetos de décadas passadas. A imagem final é deliberadamente idealizada: uma velhice ativa, elegante e digna, em que a dança continua funcionando como encontro e memória.
É com esse desejo que termina a lembrança dos bailes, restaurantes, clubes e salões da Sofia dos anos 1950: que uma cidade que sempre gostou de dançar volte a oferecer espaço também para aqueles que aprenderam seus primeiros passos muitas décadas atrás.