Em 1932, a revista Niva decidiu apresentar Sofia por meio de números. O resultado é um inventário extraordinariamente concreto da capital búlgara: população, extensão urbana, consumo de pão e água, igrejas, iluminação, bondes, coleta de lixo, pavimentação, aquedutos, bombeiros, telefones, instituições sociais e até a velocidade com que a brigada de incêndio conseguia chegar ao centro.

De 11.694 habitantes a cerca de 300 mil

Documentos otomanos anteriores à Libertação registravam 3.106 casas em Sofia: 1.369 turcas e 1.737 cristãs e judaicas. As listas da igreja contabilizavam 1.022 casas búlgaras e 1.150 famílias.

Em fevereiro de 1878, os registros municipais apontavam 11.694 habitantes: 6.560 búlgaros, 3.538 judeus, 839 turcos e 757 ciganos. A cidade tinha duas escolas, sete igrejas, trinta mesquitas e tekkes, dez pousadas, 120 lojas, 62 tabernas, 19 padarias e 3.306 casas.

O primeiro censo oficial ocorreu em 31 de dezembro de 1880 e contou 20.501 habitantes. Em 1887 havia 17.916 homens e 13.012 mulheres; em 1892, 27.804 homens e 18.789 mulheres; em 1900, 38.190 homens e 29.599 mulheres; em 1905, 45.832 homens e 36.789 mulheres; em 1910, 55.635 homens e 47.177 mulheres; e em 1926, 81.308 homens e 72.722 mulheres. Para 1932, a revista estimava cerca de 300 mil pessoas.

A capital consumia diariamente aproximadamente 120 mil quilos de pão e 150 mil litros de água, segundo os números publicados.

Uma cidade que se espalhava pelo território

Em 1887, Sofia ocupava 2,49 quilômetros quadrados, com 5.637 lotes edificados e 30.428 habitantes. Em 1907, a área havia crescido para 6,64 quilômetros quadrados, com 9.382 lotes e 86.687 habitantes. Em 1927, chegava a 28 quilômetros quadrados, cerca de 20 mil lotes construídos e aproximadamente 220 mil pessoas.

A revista observava que Sofia se espalhava por uma área muito grande em comparação com sua população. Durante muito tempo, pátios internos e jardins particulares deram à cidade aspecto relativamente verde, mas essa característica diminuía à medida que a construção se adensava.

Jardins, igrejas e uma capital religiosamente diversa

Entre os espaços verdes citados estavam Borisova Gradina, o Jardim da Cidade e áreas ajardinadas próximas à Assembleia Nacional, ao Palácio Real e a outros edifícios públicos. O lago dos Peixes Dourados de Borisova Gradina, com lírios sobre a água, era lembrado como uma das imagens pitorescas da cidade.

A revista contabilizava 28 igrejas e capelas ortodoxas. A lista incluía a Catedral de Alexander Nevsky, Santa Nedelya, São Spas, São Cirilo e São Metódio, os Sete Santos, Santa Paraskeva, Santa Sofia, São Jorge, a Santa Mãe de Deus, São Demétrio, São Nicolau de Sofia, São Pedro e São Paulo, a Ressurreição de Cristo, Santo André e a Santíssima Trindade, entre outras.

Além dos templos paroquiais, existiam igrejas vinculadas às legações russa, romena e grega. Sofia abrigava ainda cerca de 2 mil católicos, 200 uniatas, aproximadamente 2.500 armênios gregorianos, quase 900 protestantes, além de pequenos grupos adventistas, teósofos, seguidores de Dunov e pentecostais.

A comunidade judaica era estimada em cerca de 20 mil pessoas e possuía quatro sinagogas. Entre as antigas mesquitas otomanas, o texto destacava Buyuk, já convertida em Museu Arqueológico; a Mesquita Negra, transformada na Igreja dos Sete Santos; e Banya Bashi, ainda usada como casa de oração muçulmana.

De lampiões a 10.800 lâmpadas elétricas

O primeiro protocolo da municipalidade de Sofia, de 13 de fevereiro de 1878, tratava justamente da recuperação de lampiões saqueados durante o período de desordem. A cidade começou o pós-guerra iluminada por lampiões a gás de tipo otomano.

A virada ocorreu em 1º de novembro de 1900, quando Sofia recebeu iluminação elétrica. Em 1932, a capital possuía 10.800 lâmpadas elétricas. A energia era fornecida por uma companhia concessionária que operava uma usina hidrelétrica em Pancharevo, com 3.600 cavalos de potência, e uma termelétrica em Kurilo, com cerca de 17 mil.

Também eram utilizadas as centrais municipais de Boyana e Simeonovo, enquanto a empresa Orion fornecia energia a localidades nos arredores, como Krasno Selo, Knyazhevo e Vladaya.

A oficina municipal e os 300 trabalhadores

Sofia mantinha uma oficina técnica municipal responsável por produzir equipamentos, veículos e objetos usados na limpeza, manutenção e higiene da capital. Cerca de 300 pessoas trabalhavam ali. O complexo possuía restaurante, banho e jardim para os funcionários.

157 bondes em dez linhas

O primeiro bonde urbano começou a circular em 1º de janeiro de 1901. Em 1º de abril do mesmo ano entrou em funcionamento o primeiro bonde para Knyazhevo. A rede inicial tinha 21 quilômetros e apenas 25 carros motorizados.

Em 1932, a malha alcançava 61 quilômetros e a frota somava 157 bondes e reboques distribuídos em dez linhas. No início, um bilhete custava dez stotinki, e estudantes pagavam cinco; na época da reportagem, a tarifa era de três leva, com descontos por cupons e cartões.

As estatísticas de acidentes passaram a ser registradas sistematicamente em 1928. Naquele ano, para cada milhão de passageiros, havia 0,53 morto ou ferido. Por milhão de quilômetros percorridos, registravam-se 27 descarrilamentos, cinco colisões e 13,8 rompimentos de fio energizado. Entre as melhorias recentes estavam novas salas de espera, separadores e pequenos jardins entre linhas.

170 carros de lixo e 317 toneladas por dia

A limpeza urbana é um dos trechos mais curiosos. A municipalidade dispunha de 170 carroças de duas rodas, dez carros puxados por duas parelhas, quatro veículos do tipo vagão e nove caminhões destinados à remoção de resíduos. Havia ainda duas varredeiras puxadas por cavalos, duas varredeiras automotivas, 72 carrinhos manuais com 242 recipientes, 215 cestos de papel presos a postes e 31 tambores usados na lavagem de ruas.

Diariamente, cerca de 267 mil quilos de lixo eram retirados pelas carroças, até 40 mil por coletores automotivos e mais 8.200 por caminhão e reboque. O total chegava a aproximadamente 317 mil quilos por dia. A revista acrescentava, em tom irônico, que outros 80 mil quilos eram enterrados diariamente e que, se aquilo continuasse por séculos, Sofia acabaria criando uma nova “Vitosha” de resíduos sobre si mesma.

Sete oitavos das ruas ainda sem pavimento

A área total das ruas da capital era calculada em 3.914.000 metros quadrados. Até setembro de 1931, somente 472.263 metros quadrados estavam pavimentados, cerca de um oitavo do total.

Entre 1923 e 1930, a cidade pavimentara 213.286 metros quadrados, média anual de aproximadamente 26.600. Mantido esse ritmo, seriam necessários cerca de 130 anos para cobrir os mais de 3,4 milhões de metros quadrados restantes.

O aqueduto de Rila

Uma das grandes obras de infraestrutura em andamento era o aqueduto de Rila, avaliado em 740 milhões de leva. Quase um terço do trajeto Bistritsa–Rila passava por túneis abertos nos maciços de Rila, Plana e Vitosha. Eram vinte túneis no total.

Com os dois ramais, o sistema teria cerca de 82 quilômetros. Quando concluído, juntamente com os reservatórios de Beli Iskar e Planshtitsa, deveria garantir aproximadamente dois metros cúbicos de água por segundo para Sofia. O projeto também seria associado à produção de energia nas centrais de Mala Tsarkva e Simeonovo.

Uma comissão especial havia analisado a água de Rila e concluído que ela não provocava bócio, informação registrada de maneira direta no artigo.

A brigada de incêndio que saía em 7 a 15 segundos

A força de bombeiros da capital era comandada por Zakharchuk, auxiliado por dois assistentes e cerca de 140 bombeiros. O equipamento incluía máquinas, bombas, escadas e cordas. A publicação destacava disciplina, experiência e rapidez.

Do momento em que o aviso chegava até a saída da equipe, passavam entre sete e quinze segundos. O deslocamento até o centro levava cerca de um minuto e meio; para áreas intermediárias, pouco mais; e para os limites urbanos, de três a quatro minutos.

Movimento, automóveis, telefones e trens

As ruas mais movimentadas eram Tsar Osvoboditel, Targovska, Maria Luiza, Dondukov, Klementina e Pirotska. Aproximadamente 35% dos moradores utilizavam os bondes diariamente.

A estação de Sofia enviava por trem cerca de um milhão de passageiros por ano e recebia número ligeiramente maior. Veículos rurais, cavalos, mulas, burros e carroças de leite entravam e saíam diariamente, sobretudo às sextas-feiras, dia de mercado.

O número de automóveis aumentava a cada ano. Estimativas não verificadas apontavam entre 2 mil e 3 mil táxis, carros particulares e caminhões. A capital possuía 6.500 telefones principais e 2.200 extensões; cerca de 75 conexões faziam a ligação com cidades do interior e com o exterior.

Instituições sociais, bibliotecas e cemitérios

O inventário incluía instituições de assistência: instituto para crianças surdas aberto em 1898, instituto para cegos criado em 1905–1906, creches municipais, abrigo para idosos e pessoas com deficiência, orfanato municipal e estações de orientação sanitária infantil.

Também eram relacionados dezoito chitalishta, centros culturais e de leitura, entre eles a Biblioteca Nacional, Slavyanska Beseda, Ivan Denkoglu, Aleko Konstantinov, Ivan Vazov, Hristo Botev, Carnegie, Gotse Delchev e outros.

Os cemitérios de Orlandovtsi ocupavam aproximadamente 700 decares distribuídos em 120 parcelas. Havia setores específicos para suicidas, não batizados, natimortos, russos e aviadores, além de um parque militar dedicado a combatentes mortos nas guerras. O texto estimava que quase 100 mil pessoas já haviam sido enterradas ali.

“Onde o Ocidente se despede do Oriente”

A matéria termina com a impressão de um escritor inglês chamado Ratmel Wilson. Depois de viajar por boa parte da Europa, África e Oriente Médio, ele visitou Sofia a caminho de Londres e descreveu a capital como uma cidade que mudara rapidamente.

Antes das guerras, dizia, Sofia era conhecida como o lugar onde Oriente e Ocidente se encontravam. Agora, para ele, era uma cidade “onde o Ocidente se despede do Oriente”. Wilson elogiou a aparência de prosperidade, a receptividade aos estrangeiros, os trajes, os edifícios, as montanhas nevadas ao redor, a aguardente de ameixa, a culinária e a cerveja.

Em poucas páginas, a edição de 1932 conseguiu transformar a capital numa coleção de medidas: 157 bondes, 170 carroças de lixo, milhares de lâmpadas, quilômetros de aqueduto, centenas de milhares de quilos de resíduos e uma população que crescia numa velocidade difícil de acompanhar. É um retrato raro de Sofia no exato momento em que a cidade deixava de ser uma capital jovem para se tornar uma metrópole balcânica.